Por Eduardo Silva
FONTE: RJ TVQuem costuma andar pelas ruas mais movimentadas do Rio já sabe: geralmente vira alvo certo de entregadores de panfletos e folhetos.
A prática desse tipo de propaganda é quase sempre ilegal. E aliada à falta de consciência, acaba sujando ainda mais a cidade, já que a maioria dos papéis acaba mesmo no chão.
Oito e dez da manhã. O distribuidor de panfletos já chegou ao local de sempre, o Largo da Carioca. Apesar do vai-e-vem de pessoas que seguem para o trabalho a esta hora da manhã, o homem não passa despercebido.
“Todo dia é a mesma coisa, no mesmo horário. É muito chato”, critica uma pedestre.
Muitos acabam pegando o papel. Os que lêem são os mais curiosos, atraídos pelo anúncio, pela oferta. “Às vezes precisamos. Ganhamos pouco, queremos às vezes cobrir uma dívida. Aí pegamos o empréstimo”, admite o locutor de loja José de Castro.
Mas é comum encontrar também pessoas que não pegam os folhetos por nada. “Eu não pego. Prefiro recusar a jogar no chão”, diz a secretária Cíntia de Oliveira.
Este é o problema. Nossa equipe não precisou esperar muito tempo para flagrar gente jogando papel no chão. Alguns tentam até justificar.
“Eles nos dão muito papel no meio da rua e não temos como ficar com isso. As latas de lixo ficam distantes”, explica o vendedor Rodrigo Dias.
Esquina de ruas Uruguaiana e Sete de Setembro. A sujeira tomou conta da rua, que é de pedra. No local, vê-se propaganda de tudo: jóias, empréstimo de dinheiro, culto religioso.
Percorremos quase toda a Rua Uruguaiana. Em vários pontos da calçada, os distribuidores de panfletos entravam em ação. Na Avenida Rio Branco, a principal do Centro, a mesma situação.
Em menos de dez minutos, a repórter recebeu 12 folhetos, que contribuem para aumentar a quantidade de lixo. Segundo a Comlurb, mais de 3.200 toneladas são retiradas por dia das ruas do Rio.
Mas poucos sabem que distribuir panfletos é proibido por lei. A legislação só permite distribuição de folhetos religiosos, políticos e filantrópicos. Mas é a quantidade de papéis oferecidos sem terem sido requisitados que incomoda muita gente.
“Eu vim contando, são 11 até o meu trabalho, uma coisa impressionante. E isso não vale nada, ninguém quer isso”, reclama uma pedestre.
A responsabilidade de fiscalizar é da Comlurb. Desde o início do ano, foram aplicadas 400 multas. O valor da multa é de no mínimo R$ 125. O RJTV conversou com Francisco Moraes, gerente de Limpeza Urbana da Comlurb.
RJTV: O valor da multa pode variar?
Francisco Moraes: O valor se inicia em R$ 125 e é progressivo a cada multa que seja dada ao estabelecimento reincidente.
O que pode acontecer com o estabelecimento que reincide, além de pagar o valor maior?
A partir da quinta multa, o caso é encaminhado à Coordenadoria de Fiscalização e o estabelecimento poderá ter seu alvará cassado.
Por que ainda há tanta gente nas ruas distribuindo panfletos?
É uma forma de propaganda barata que acaba saindo cara, por causa das multas. Mas as pessoas insistem, o que pode levar ao fechamento do estabelecimento.
A Comlurb deve aumentar essa fiscalização?
Temos feito a fiscalização, temos 400 fiscais nas ruas e pretendemos intensificar a fiscalização cada vez mais, no intuito de minimizar a poluição visual da rua, porque a panfletagem contribui com a sujeira na rua.